O morando por aí de hoje vem direto da Itália, contando sobre a experiência da Priscilla da Silva. A Pri tem 30 anos, trabalha com turismo na Costa Amalfitana e é celebrante de casamento nas horas vagas! Ela conta que foi para a Itália estagiar em hotéis na Costa Amalfitana porém, antes mesmo de sair do Brasil, já tinha aplicado para várias universidades européias (França, Malta, Portugal e Itália) e, entre elas, a Universidade de Salerno – onde passou a estudar posteriormente! “Então quando cheguei em 06 de agosto de 2015 em Amalfi, eu não tinha ideia do meu futuro ou qual cidade e país eu moraria depois de Amalfi.”.

Venha conhecer conosco um pouquinho mais da história da Pri, e saber como é morar pela belíssima Costa Amalfitana. Mas já deixamos avisado: ao ler este post você vai morrer de vontade de comer uma boa pasta al limone!

 

 

O que te levou a escolher a cidade/país?

Nunca tinha pensado na Itália, mas na minha vinda até aqui tive dois anjos, Luciane Silva e Salvatore Aceto. Sim, minha tia apresentou seu amigo que tinha uma fazenda de limão em Amalfi. Salvatore Aceto, uma pessoa de coração bom, de bem com a vida e que vive a plenitude, é amigo da minha tia e conheci ele na páscoa. Ele também é italiano, e nas nossas conversas eu mencionei a minha vontade de ter mais uma experiência no exterior, mas desta vez na Itália. Ele gostou da idéia e disse que estaria disposto a me ajudar, mas eu pensei.. tá beleza, ele se ofereceu por educação e por ser amigo da minha tia. Mas não é que ele realmente estava interessado? Claro que eu insisti, mas no fim ele me conseguiu um estágio em dois hotéis de amigos dele. Com uma proposta: Alojamento e almoço pagos, e o resto por minha conta. Eu estava quase sem dinheiro, só com o salário que recebi naquele mês, então olhei para o meu carro e pensei: quer saber, vendo tudo e vou, na cara, experiência e vontade!

 

Vendi meu carro, minha bicicleta, comprei meus euros e passagem, e assim eu vim! Uma aventura, mas que depois de alguns anos me deu certa estabilidade.

Então, como mencionei anteriormente, eu já tinha as candidaturas encaminhadas para certas universidade, e as respostas seriam entre julho e setembro. Na verdade, a resposta da França eu já tinha, estava matriculada na Universitè de Versailles Saint Quentin, aos arredores de Paris. Mas eu ainda não estava ce

rta sobre ir, pois a bolsa era de 1.000 euros para viver em uma cidade onde o custo de vida é caríssimo. Por isso, relaxei e esperei as outras bolsas. Curti minhas experiências na Costa Amalfitana. Trabalhei muito, conheci pessoas novas, comi, comi e comi! Sim, como eu auxiliava o Lemon tour e Cooking Class do Salvatore Aceto, eu também provava dessas delícias, isso porque esse é o intuito da experiência: fazer e degustar a sua arte (pasta al limone). Durante meus dois meses eu estava pensando em onde estudar, talvez Portugal, e no final de setembro recebi a resposta da universidade de Salerno, há 30 km da Costa Amalfitana. Eles me dariam alojamento e alimentação, analisei o custo x benefício e decidi ITÁLIA. Depois disto voltei ao Brasil para fazer meu visto.

 

Você fez o processo sozinha (o) ou por intermédio de terceiros?

Eu decidi vir sozinha, e com a ajuda do amigo Sal Aceto eu consegui fazer o estágio, mas o processo de aplicação para a universidade eu fiz por conta própria.

Qual foi a documentação necessária?

No momento que saí do Brasil eu fiz um erro e quero que vocês aprendam com este erro. Eu vim para a Europa como turista e esqueci de fazer um visto, como estudante/trabalho, pois achei que poderia fazer aqui depois. Então em outubro, quando fui aceita na Universidade de Salerno, tive que voltar para fazer o visto de estudante. Para isto precisava de alguns documentos:

1) inscrição ao curso (carta convite se bolsista) sempre em língua italiana, quando possível em original. Para bolsista anexar documento comprovante;

2) se curso pago, comprovante de pagamento;

3) local para residir na Itália, informando o endereço;

4) apólice de seguro saúde válido internacional, com cobertura mínima de 30 mil Euros ou mod. IB2 para os contribuintes do INSS brasileiro (acordo Italo-Brasileiro). Eu usei este último, pois valia a pena, já que ficaria lá um ano;

5) demonstrar meios de sustento para o período – bolsista não precisa (eventualmente pode ser uma declaração do Pai – garantindo um valor mínimo de 800,00 Euros mensais – com assinatura reconhecida em cartório, e anexando cópia simples do Imposto de Renda);

6) possuir cartão de crédito internacional – anexar cópia simples;

7) passaporte válido, com no mínimo 90 dias além da duração do curso e do visto;

8) carteira de Identidade, Título Eleitoral e comprovante de residência – anexar cópia simples (frente e verso);

9) uma foto 3×4, recente, a cores, fundo branco e sem data;

10) cópia da passagem aérea, se for reserva não pode antecipar a data da ida;

11) pedir visto ao Consulado Geral, pessoalmente no período entre 5 e 30 dias antecedentes ao inicio do curso;

12) imprimir e preencher o formulário para requerimento do visto modelo Nacional tipo D de longa duração (site consulado italiano)

Fonte: Consulato italiano di Curitiba

Depois, cheguei aqui e fiz o meu permesso di soggiorno di studio que reapresentei essas documentações, depois com o permesso em mãos pude fazer o Codice Fiscale (nosso CPF) e Tessera Sanitaria (carteira de saúde).

 

Como escolheu onde morar? 

Eu fiquei em um apartamento que Salvatore me disponibilizou durante meu estágio, depois quando fui para universidade morava em uma residência universitária, era um studio privado com cozinha, quarto e banheiro, tudo reformado, uma graça!

Como foi chegar no lugar, qual foi sua primeira impressão? Te receberam bem?

As escadas foram um susto, mas chegar lá em cima e encontrar o paraíso vale a pena. O sul da Itália é incrível, eles são acolhedores, simpáticos e querem sempre te ajudar. A família Aceto me acolheu muito bem, eu era da família, participei dos eventos da família, natal, aniversários. Eles adoram o brasil, os brasileiros e se identificam com a nossa cultura, ou a gente se identifica com a deles – já que eles vieram primeiro.

Como era sua rotina?

Na Costa Amalfitana eu estagiava em dois hotéis, de cidades diferentes, um era em Praiano..era longe e usava o ônibus (mas era um período de alta temporada, então sofria com o transporte público). Depois estagiei em Ravello e também usei o ônibus. Quase dois anos depois de morar aqui, aprendi a usar o transporte certo: ou moto ou barco. A estrada da costa é muito estreita e não tem lugar para todos, por isso recomendo o barco.

Minha rotina era praticamente trabalhar das 9 até as 16h e depois.. eu ia para casa, com mais 400 escadas para fazer, pois morava no topo da montanha. As vezes fazia duas, três até quatro vezes por dia. Já em 2016 eu trabalhava em Amalfi e fazia tudo a pé, aluguei uma casa sem escadas, e tava tudo certo!

Na universidade tudo era mais lento, eu fazia tudo a pé e havia tempo para tudo, porém, lá não era o paraíso.

Como era o clima por lá?

De maio a julho ainda é fresco, quando começa agosto o verão chega com tudo, cerca de 40 graus. A noite, pode variar, tem vento e é mais fresco. Aqui existe alta temporada, neste período os preços vão lá em cima e as vezes é impossível encontrar quartos livres em hotéis. Mas também, na baixa temporada, no inverno entre outubro a março, a maioria dos hotéis e restaurantes estão fechados. Então evitem vir para cá neste período.

 

Quais os lugares que você mais gostava de frequentar?

Quero apresentar um pouco da Costeira Amalfitana, um paraíso dos limões, das montanhas verdes e águas claras. Vivi por mais de 2 anos na costeira, trabalhei, viajei, fiz estágios e vivi como uma amalfitana. A cultura local é linda, “la mesura d’uomo” ou seja, medida do homem, que tudo pode-se fazer com suas próprias pernas. As cidades tem aproximadamente entre 2.000 e 5.000 habitantes e lá também está a menor cidade do sul da Itália, Atrani, em uma area de 0 km², com 952 habitantes, o lugar é espetacular, cheio de escadarias e casas, uma sobre a outra, vale a pena conhecer.

Amalfi é a história da Italia, é uma república marítima e onde aconteciam as maiores trocas de mercadorias, por ser localizada no mar mediterrâneo, uma cidade que produzia papel (ainda hoje tem uma fábrica antiga de papel, a única que faz o papel amalfitano – inclusive tem um museu que explica como fazer o papel), limões e especiarias.

O limão é um tesouro de amalfi e ele é cultivado de uma forma diferente, um jardim vertical. Os limões são sustentados por pergolatos, paredes secas de pedras e terra sustentam as limoeiras. As propriedades podem ser de 30 m²ou de 14 hectares, onde os limões chegam até 400 m acima do mar. Durante um ano e meio trabalhei na fazenda de limão Lemon tour de Salvatore Aceto, como guia turística, levando turistas do mundo inteiro para conhecer do princípio como se planta um limão amalfitano, como se come este limão (sim podemos comer até a casca deste limão) e como se transforma este limão em… Limoncello, que na gastronomia, medicinal e no café, é perfeito!

Outras belezas que fazem turistas conhecerem a costeira são os doces e as famosas pasticcerias… as confeitarias luxuosas e glamurosas, e entre as mais antigas e tradicionais está a PANSA, desde 1830, com a mesma massa para fazer croissant de uma receita de família, com o famoso pasticcioto de crema e amarena ou a Delizia a limone, vale a pena provar! E tem a DE RISO, uma confeitaria recente mas que conquistou espaço não somente na itália, mas em várias partes do mundo.

Mas tenho que falar mesmo é da beleza natural, das praias, das paisagens e do pôr do sol que este lugar nos presenteia. Isto vocês tem que ver em fotos!

Os costumes, tradições e festas locais (que são as melhores), as festas dos santos (que acontecem quase todos os dias no verão, em diferentes cidades, cada cidade tem um santo patrono e eles festejam com festas de comidas diferentes). A gastronomia, como pasta com vongole, pasta al limone, tonno (atum), colatura di alici, as verduras frescas.. tomates, abóboras, abobrinhas (pois quase todos as pessoas locais tem um jardim, um quintal com hortaliças e verduras frescas e biológicas, eles são quase auto suficientes).. e os doces famosos: Babà al Rhum, Sfogliatela Santa Rosa, Delizia Al limone, meringa, scorzette di limone, beringela com chocolate.. enfim, doces que não tinha mais imaginado e que são maravilhosos.

As pessoas que visitam a costeira ficam maravilhadas pela comida fresca. Tudo feito na hora, os peixes se compram vivos, as verduras são de 0km , pois são locais. É um paraíso.

Quais os lugares que não estão nos roteiros turísticos típicos mas vale a pena conhecer?

Vale a pena conhecer Fiordo di furore, um paraíso! Um pouco difícil de acesso, mas eu explico a melhor forma. O melhor jeito é alugar uma moto, assim você tem tranquilidade e não depende de transporte público . Fiordo di Furore fica depois de Amalfi, se você deixar passa despercebido, você atravessa Conca dei Marini e depois de passar por um túnel, se olhar do seu lado direito vai encontrar esta prainha linda! Outro jeito é ir de ônibus, pedir ao motorista para deixar você na parada e depois, ir a Positano e voltar ao seu destino de barco.

Qual o custo de vida da cidade?

 

Olha, o custo da Costa Amalfitana é salgado, pois aqui todos vivem como turistas. Então, os mercados são pequenos e os valores mais altos, mas… em cidades pequenas tudo isto pode mudar. Há uma grande diferença de preço entre Positano e Minori, por exemplo. Minori é a cidade onde moro atualmente, onde você ainda pode encontrar casas para alugar com um valor de 600 euros, café a 1 euro, almoço a 10 euros (um prato), pizza a 7 euros.

O que você mais gostou de fazer durante sua estadia?

Visitar Ravello é toda vez uma poesia. Eu adoro aquela cidade, tive experiência de trabalho linda, com pessoas ótimas e a cidade é muito romântica. A Villa Cimbrone definitivamente me deixa sonhar, quando eu quero inspiração, é para lá que vou passar meus dias!

O que não se pode deixar de trazer de lá?

Com certeza um limoncello, de preferência da Valle dei Mulini, onde os limões são orgânicos e da própria fazenda, IGP – selo de qualidade de produto local e zero km. Outra coisa linda da costa, que vão se encantar logo de cara, são as cerâmicas e o papel amalfitano. Com certeza você voltará com algo a mais, uns kilos!

 

No geral, como foi sua experiência? O que você recomendaria e não recomendaria?

Uma experiência inesquecível, que para mim ainda é, todos os dias quando acordo e vejo essas montanhas no meio do mar. Eu recomendo que vocês venham sim, mas sem malas e sem carro. A melhor opção é o barco. A melhor época é entre maio e julho, em agosto eu não recomendo – é um caos. As cidades para se alojar: Minori, Ravello e Praiano.

Quer saber mais, então fale com a Pri:

E-mail: prihss@hotmail.com

Facebook: facebook.com/prihss

Instagram: @priihss e @@acostaamalfitana

Whats: + 39 366 396 3020

Site:www.beyondamalfi.com




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