A história da II Guerra Mundial todos nós conhecemos. O sentimento de proximidade porém é algo difícil de mensurar quando estudamos isso do Brasil. Na Alemanha, tive a oportunidade de fazer uma visita a Dachau, um campo de concentração de Munique. Dachau era pra ser apenas uma prisão, e acabou matando milhares de pessoas.

Dachau foi criado em março de 1933, sendo o primeiro campo de concentração regular assentado pelo governo Nacional Socialista, ou seja, nazista. É um pedacinho recheado de história perto de Munique, um lugar que todas as pessoas deveriam visitar uma vez na vida… Se não esse, pelo menos algum campo de concentração.

Sabe esses lugares que você sempre quis visitar mas nunca vai quando está perto? Pra mim Dachau foi assim. Desde que me mudei para Munique tinha esse passeio em mente. Mas quando você cai na rotina é muito difícil acordar com vontade de visitar um campo de concentração. Quando você acorda feliz, não quer estragar o humor e quando acorda triste não tem vontade de se deprimir mais ainda. Então a visita sempre foi adiada, até que eu encontrei uma companhia bem legal pra ir junto!

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Acho que foi na hora certa porque eu acabei indo no inverno e eu estava toda cheia de casaco e camadas de roupa e do lado de fora estava congelando, o que me fez pensar no que todas aquelas pessoas que ficaram trancadas por anos passaram.

Ele serve como museu para alertar e mostrar às pessoas todos os horrores feitos durante o regime nazista, você pode conferir toda a parte história do local aqui.

Como chegar?

Por ser muito próximo de Munique, você pode chegar de transporte público sem problemas, nós explicamos melhor nesse post aqui.

Quanto é a visita a Dachau?

Logo que você descer do ônibus encontrará a recepção, onde você pode comprar o áudio guia e pegar um mapa do campo. Recomendo comprar o guia, é bem baratinho, cerca de 3€ para estudantes e 5€ para adultos e tem em diversas línguas, inclusive em português. A entrada é gratuita (só fui nesse por enquanto mas tenho a impressão de que a entrada para todos os campos são gratuitas – posso estar equivocada). Do lado da recepção há cafés e comidas para quem quiser fazer um lanche.

Muitas empresas, incluindo o próprio memorial, também realizam tours guiados, o que pode ser legal, mas na minha opinião pode quebrar um pouco o clima do passeio porque o interessante é você estar lá com seus próprios pensamentos e tirando suas próprias conclusões enquanto anda de um lado para o outro.

Se você escolher ir de carro custa 3€ para estacionar no local.

O que eu encontrarei por lá?

Enquanto você caminha, o áudio guia vai explicando o que cada coisa representa. Logo no portão você já da de cara com a famosa frase “Arbeit macht frei”, em português “O trabalho liberta”, o slogan do partido nazista.

Há um museu perto da entrada e eu recomendo que você comece por ali, principalmente se você estiver visitando durante o inverno como eu. O museu dará uma bagagem muito importante para quando você voltar para o lado de fora. Tudo o que você ler la dentro, todos os absurdos e coisas de cortar o coração, todas aconteceram do lado de fora daquelas paredes (e também ali dentro, claro).

Há um anfiteatro que passa um documentário sobre o campo chamado “The Dachau Concentration Camp” que dura 22 minutos e dá uma visão geral sobre o lugar, ajudando você a entender melhor a visita. Ele passa diversas vezes por dia, mas indico que seja uma das primeiras coisas para você ver por lá, quando eu fui consegui pegar a sessão em inglês e vale muito a pena. Ilustra tudo o que eles passaram.

É uma dessas coisas bem tristes, mas bem importantes sabe?! Para checar os horários clique aqui. Não indicado para menores de 12 anos.

Museu

No museu você encontrará informações sobre o dia a dia dos presos, os locais dos outros campos de concentração pela Europa (foram muitos. MUITOS.), quais os grupos que eram perseguidos… Todo mundo foi perseguido e o que não faltava era motivo para você ser transferido para um campo de concentração, era só ser contra o regime que pronto, você era o inimigo.

Você sabia que os presos eram proibidos de possuir papel e lápis? Eu não tinha ideia. Ou que os quartos que deveriam abrigar 200 pessoas no fim estavam abrigando 2000? E que não importava se a pessoa estava doente e lá fora nevasse, ela era obrigada a fazer a ronda diária pelo campo? E que o chão deveria estar sempre brilhando e pouco importava se os presos não haviam comido no dia?

Enfim, é uma visita que te deixa pensando nos horrores que o ser humano é capaz de fazer com seu próprio semelhante. E uma lição para que isso nunca se repita.

Interior

Ao sair do museu você tem a oportunidade de visitar um bloco que possui os quartos, banheiros, “sala de jantar” como eles utilizavam na época. Era super lotado e os presos deveria deixar suas camas impecavelmente feitas pois se um dos guardas encontrasse qualquer defeito, o dono da cama malfeita apanhava.

Memoriais

Além disso, no fim há três memoriais: um judeu, um católico e um protestante homenageando as vidas que foram perdidas ali. Na minha opinião o judeu é o mais intenso e bonito.

Casas de banho

Andando para a esquerda, na mesma altura dos memoriais você encontrará as casas onde os presos eram assassinados e depois cremados. Você entra na mesma sala onde tudo isso aconteceu, vê as fornalhas e é tão triste pensar que alguém fez aquilo sabendo o destino final, não sei, eu tenho sérios problemas pra compreender esse período da história. E sei que não sou a única.

Os presos achavam que estavam indo tomar banho mas na verdade, quando entravam nos “quartos de banho”, que eram salas grandes, eram asfixiados com gás e depois jogados nas fornalhas para serem cremados, que ficava na sala ao lado. Então eles realmente não sabiam o que estava acontecendo até ser tarde demais.

No começo havia somente uma fornalha com duas entradas, mas depois as mortes aumentaram tanto de número, que foi preciso construir toda uma nova ala para isso. No caminho há diversas estátuas homenageando os presos que viveram lá durante esse tempo.

Quanto tempo dura a visita?

Olha, não sei quanto dura um tour guiado, mas depende muito do quão imerso você ficará na história e detalhes do lugar. Eu fiquei mais ou menos umas 4h eu acho e no fim eu já estava bem cansada psicologicamente, é uma carga emocional bem grande, mas como eu disse, eu acho super importante fazer a visita. Acho que duas horas no mínimo é o ideal.

DICA: Eu, particularmente, não aconselharia levar crianças pequenas para fazer o passeio já que é um ambiente pesado e de reflexão para a maioria dos visitantes.

Horário de funcionamento: diariamente das 9:00 às 17:00h, fechando apenas dia 24 de dezembro.