O nosso primeiro Morando por aí da África é sobre a Cidade do Cabo, na África do Sul! Quem vem compartilhar a experiência de intercâmbio com a gente é o Paulo Vitor, administrador público de 21 anos. E o que você pode fazer por lá? Bom, ele foi fazer um curso de inglês durante 6 semanas durante o verão de 2014 e dá muitas dicas de como aproveitar bem a cidade!

Legal, né? Ficou curiosa(o) como a gente? Então confere todos os detalhes:

O que te levou a escolher a cidade/país?

Inicialmente eu iria para Malta, mas como eu consegui uma promoção para a África do Sul, acabei indo pra lá. Alguns tios que já haviam conhecido o país haviam me indicado para fazer turismo e como eu sabia que tem várias escolas de língua inglesa lá, acabei optando por conhecer terras africanas enquanto aprimorava meu inglês.

Você fez o processo sozinha (o) ou por intermédio de terceiros?

Na época que eu fiz o intercâmbio, eu tinha 18 anos. Não era minha primeira viagem pro exterior, mas era o primeiro intercâmbio. Então tinha toda aquela preocupação normal de ver escola, escolher onde ficar hospedado, etc. Por isso, acabei fazendo por meio de uma agência de intercâmbio. Tive uma experiência ótima, mas hoje em dia eu não faria o intercâmbio através de agência. A escola onde eu estudei, por exemplo, permite que o aluno se inscreva diretamente no site e eles mesmo vão atrás de casa de família para ficar, o que é mais econômico.

Qual foi a documentação necessária?

Só precisei tomar vacina de febre amarela, que deve ser comprovada no Certificado Internacional de Vacinação. Assim como muitos destinos da Europa, os brasileiros são permitidos ficar até 90 dias na África do Sul a turismo. A escola de idiomas me encaminhou uma carta atestando que eu iria estudar inglês e, não sei como, o agente da imigração me deu visto de turista. No momento eu não contestei, mas confesso que fiquei com muito medo de não conseguir estudar. Depois descobri que isso é normal e não interfere em nada caso você fique menos de 90 dias no país.

Como escolheu onde morar?

O processo de escolha de moradia foi através da agência, mas como eu falei anteriormente, você pode ver isso sozinho em contato com a escola de idiomas que pretende estudar.

Eu morei em um bairro chamado Higgovale, que fica perto (de carro) da subida pra Table Mountain e de estradas que levam para Camp’s Bay, uma das praias mais badaladas da África do Sul. Para andar a pé, fica muito perto da Kloof, Bree e Long Street, que são ruas repletas de bares, lojas, restaurantes e baladas com foco no público jovem.

Vista do quarto para o bairro. Como tudo na Cidade do Cabo, é cercado de plantas

Vista do quintal da casa para a Lion’s Head. Montanha logo ao lado da Table Mountain, onde muitas pessoas sobem nas noites de lua cheia.

Essa região é cara para morar. Se você vai fazer um intercâmbio para estudar inglês, talvez seja tranquilo pois já vem no pacote da escola, mas se for para um mochilão, por exemplo, é melhor escolher algo próximo da Long Street, mais pro “centrão” da cidade ou para os bairros universitários como Woodstock e Observatory.

Como foi chegar no lugar, qual foi sua primeira impressão? Te receberam bem?

Fiquei apaixonado logo de cara! Logo que cheguei na África do Sul, eu optei por ficar 5 dias em Joanesburgo, pois queria muito conhecer a maior cidade sul-africana e acabei conhecendo também Pretória (que é uma das três capitais da África do Sul) e, coincidentemente, no dia que eu fui visitar a cidade estava acontecendo o funeral do Nelson Mandela, que era aberto ao público. A cidade estava bem movimentada, pois todo mundo queria se despedir de quem eles consideram o Pai da Nação. Depois desses 5 dias, fui para a Cidade do Cabo e imediatamente vi que havia escolhido o lugar certo para fazer o meu curso e aproveitar um pouco das férias de verão.

Em qualquer canto de Higgovale você consegue ver a Table Mountain. Já é parte do cenário.

Como era sua rotina?

Era bem tranquila. Toda manhã eu pegava uma mini-van (funciona como um táxi, só que mais barato) até a escola e não tinha como não ficar acordado já que eles andam muito rápido pelas ruas. Tinha aula durante toda a manhã e as tardes/noites eram livres para fazer o que quiser. Logo após a aula eu ia almoçar em algum lugar. Um ponto positivo: a comida lá é muito barata e bem gostosa!

A comida é muito boa e barata. Esse prato não deve ter dado mais de R$9 (sim!!!!!)

Todos os dias eu queria explorar algo novo, então eu marcava um programa turístico no período da tarde e reservava a noite para sair com os amigos para os bares, festas, jantar fora, passear pelo Waterfront (complexo comercial cheio de atividades culturais), etc.

Região do Waterfront, em frente ao mar. Cheia de restaurantes, lojas internacionais, bares e espaço para atividades culturais.

Quando eu queria descansar um pouco, eu ficava na piscina aproveitando o sol ou ia pra praia e depois passeava pelo bairro, fazia umas compras, ia tomar um café. A cidade tem muitos estabelecimentos, então as coisas nunca “se repetem”. Já os passeios turísticos mais longe de onde eu estava, eu deixava para fazer durante os fins de semana.

 Vista de um passeio perto da praia de Camps Bay.

No topo da Table Mountain.

Como era o clima por lá?

Como eu viajei no verão, o clima lá era que nem em Florianópolis nessa época. Mas, embora seja quente, não é abafado. Então algumas noites dava pra usar uma jaqueta jeans ou suéter sem problemas, pois era fresco. O clima de lá no verão é um prato cheio para quem curte praia, piscina e passeios ao ar livre.

Quais os lugares que você mais gostava de frequentar?

Todo intercambista tem o seu lugar preferido, aquele lugar que nós chamamos de segunda casa. No caso, eu tive três “segundas-casas”: o Mixa’s, um restaurante de comida sérvia que eu ia pelo menos uma vez por semana; o 169, um bar que tinha happy hour todos os dias no começo da noite, onde eu ia praticamente todos os dias pra beber um pouquinho e socializar com meus amigos do curso; e, por fim, o Gourmet Boerie, um restaurante de boerie rolls, um cachorro quente sul-africano feito com boerewors, que é uma espécie de salsicha tradicional do país.

Comendo um boerie roll com carne de avestruz no Gourmet Boerie.                         Drinks bem baratinhos durante o happy hour do 169.

Quais os lugares que não estão nos roteiros turísticos típicos mas vale a pena conhecer?

Tem dois lugares que não são muito turísticos e que eu recomendo: o bairro de Woodstock e a Bree Street.

O Woodstock é um bairro boêmio e onde o movimento artístico da cidade está em alta. O bairro foi totalmente renovado e onde eram antigas fábricas e galpões, agora são centros artísticos, lojas, restaurantes, etc. O Old Biscuit Mill é uma antiga fábrica de biscoitos, e hoje funciona como um centro comercial que reúne uma faculdade de design, diversos restaurantes premiados, lojas de fotografia, papelaria e ateliers de moda de designers sul-africanos. Durante os fins de semana ocorre o Neighbourgoods Market, que é uma feira de orgânicos muito interessante, e acontece em paralelo um bazar de moda urbana local.

Bazar no Old Biscuit Mill

A Bree Street é praticamente tudo o que tem na região do Woodstock só que pertinho da Long Street, que é a rua mais famosa e centralizada da cidade. Muitos turistas que vão para a Cidade do Cabo deixam de conhecer a Bree Street, o que é um erro! Se você curte gastronomia, moda e arte: se joga.

Qual o custo de vida da cidade?

A passagem para a África do Sul pode ser um pouco cara, mas é muito comum achar promoções durante os meses de setembro até dezembro. Fora isso, a moeda local, o rand, é bem desvalorizada em relação ao real. Isso é muito vantajoso para os brasileiros, pois dá para comer em restaurantes muito bons e se hospedar em locais bem localizados sem gastar muito. Caso você esteja viajando com o dinheiro contado, tem restaurantes para todos os preços e os mercados são super baratos.

O que é um pouco caro são os passeios. Tem muitas opções e quase todas são muito legais, então você tem que escolher um ou outro para não pesar no bolso.

O que você mais gostou de fazer durante sua estadia?

O que eu mais sinto falta na cidade é da minha rotina. Cada dia era um programa  e um lado diferente da África do Sul que eu conhecia: era o sabor da comida indiana explodindo na boca, o friozinho na barriga de subir o teleférico da Table Mountain, a “sensação de pequenez” diante das grandiosidades da natureza, a vergonha e impotência que se sente quando vê mais a fundo sobre a história do Apartheid e as cicatrizes que o regime deixou no país, as festas e confraternizações com amigos do mundo inteiro, o “torrão” que levava tomando sol na praia, a “aventura” de entrar em uma mini-van com um motorista que dirige a 120km/h no meio da cidade… Enfim, são diversas experiências e pequenas coisas que faziam parte do meu cotidiano e me fizeram ficar apaixonado pelo povo e pela vida na Cidade do Cabo.

Vista do bairro-condomínio de Llandudno. Essa praia é exclusiva para os moradores do local: só pessoas com muito dinheiro. Dentre elas o cantor Elton John

O que não se pode deixar de trazer de lá?

Com certeza alguma decoração para casa ou artesanato feito por tribos africanas. Em diversas feirinhas você consegue encontrar máscaras, aneis, colares, roupas, quadros, dentre outros exemplares da cultura africana.

No geral, como foi sua experiência? O que você recomendaria e não recomendaria?

A minha experiência foi ótima, era exatamente o que eu estava procurando na época que fiz o intercâmbio. Se eu pudesse voltar atrás, eu faria tudo de novo!

Alguma curiosidade que deseja compartilhar?

Os sul-africanos gostam muito dos brasileiros. Em alguns lugares achavam que eu era dos Estados Unidos e não me tratavam muito bem, era só eu falar que era brasileiro que o sorriso se abria e começavam a falar de política, futebol, samba, Ronaldinho, Rio, churrasco… Eu me assustava em como eles sabiam muitas coisas sobre nós. E não se assuste quando pedirem pra tirar foto contigo.

Um ponto que eu não gostei é que as vezes as pessoas são insistentes (nível hard) em querer falar contigo ou que você compre algo deles (principalmente em feirinhas).

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