A experiência de hoje vem em dose dupla! Além de estudar por seis meses em Berlim, o nosso colaborador de hoje, Gabriel Luz Viana, também morou e estagiou em Munique por mais seis meses. Ele tem 23 anos, estuda Administração na UDESC em Florianópolis, passou um ano na Alemanha entre setembro de 2015 e Agosto de 2016 e agora compartilha conosco um pouco do que foi viver em duas cidades tão diferentes no mesmo país.

Vamos conferir o que ele tem a dizer sobre as duas experiências?

O que te levou a escolher a cidade/país?

Dentre as possibilidades de parceria que minha universidade no Brasil tinha, escolhi Berlim pela fama de cidade “open minded” com bons preços e respirando história e arte. Já Munique, “escolhi” porque passei em um estágio de 6 meses em uma empresa do grupo Allianz.

 Parlamento Alemão, em Berlim

Você fez o processo sozinha (o) ou por intermédio de terceiros?

Fiz o processo para ir para Berlim por intermédio da minha universidade no Brasil. Como temos um programa bilateral de intercâmbio, todo o processo de aprovação e inclusive para obtenção de moradia foi feito por intermédio do escritório internacional de ambas universidades, tudo muito simples e fácil.

Qual foi a documentação necessária?

Tive de levar, além do passaporte e outros documentos de praxe para viagem, as cartas de aceite da universidade alemã. Entrei na Europa sem necessidade de visto, que tirei após 3 meses lá e por intermédio da universidade alemã, que fez todo o processo para nós sem cobrar nenhuma taxa (Somente os 50 Euros que o governo alemão cobra).

Para obtenção do visto, apresentei meu passaporte, comprovante de matrícula na universidade alemã e um extrato da minha conta bancária alemã com o montante necessário para a quantidade de meses solicitados no visto (No meu caso, 1 ano).

Como escolheu onde morar?

Em Berlim, consegui a moradia através do escritório internacional da universidade alemã, o que foi um grande alívio, dado a dificuldade em encontrar moradias em Berlim e especialmente pagar um valor baixo como o que pagávamos (245 EUR/mês por um quarto privativo com cozinha “americana” e banheiro individual, tudo mobiliado e com sistema de aquecimento em perfeito funcionamento).

Em Munique, por sua vez, foi mais difícil. Ainda em Berlim tentei por diversas vezes agendar visitas em imóveis de Munique, mas nunca conseguia por conta da alta demanda na cidade. Em um dado momento decidi tomar uma medida mais drástica e, por ter uma amiga na cidade, passei uma semana em Munique somente aplicando online para vagas em algumas repúblicas e realizando visitas. No meu último dia na cidade consegui fechar um quarto por 400 EUR/mês em uma ótima localização (muita sorte).

 East Side Gallery, Berlim

Como foi chegar no lugar, qual foi sua primeira impressão? Te receberam bem?

Em Berlim foi muito tranquilo. Viajei no mesmo voo que uma amiga e fomos recebidos pela minha “Buddy” (uma aluna alemã da universidade designada a nos ajudar na chegada e início do semestre). Ela nos acompanhou, via transporte público, ao dormitório e já estava em posse das nossas chaves. Nos dias consecutivos alguns outros colegas chegaram e, com o “Buddy” deles, fomos ao escritório do dormitório pagar o primeiro aluguel e depósito de segurança além de abrir uma conta bancária no Sparkasse (espécie de caixa econômica federal Alemã). Em Munique foi diferente. Cheguei sozinho e após viajar a noite inteira de ônibus. Me encaminhei ao apartamento e não fui recebido por ninguém… (hehehe). As áreas comuns estavam uma bagunça e meu quarto cheio de poeira, mas após algumas horas o limpei inteiro e arrumei meus pertences.

Como era sua rotina?

Em Berlim minha rotina durante as aulas era basicamente: acordar, pegar o transporte para a universidade (Ônibus + Tram), almoçar no restaurante universitário e, após ter aulas a tarde, ir para casa e me “aplicar” para estágios até o final da tarde. Então fazer minha janta e dormir. É claro que ao vivo era tudo muito divertido e sempre em companhia de colegas brasileiros e estrangeiros. Nos finais de semana costumávamos cozinhar juntos e às vezes sair para algum barzinho. Aos domingos íamos à uma feira enorme ao ar livre no parque “Mauer”, em referência ao muro de Berlim. Lá, nos meses menos frios, havia um Karaokê aberto com plateia de mais de 100 pessoas, algo incrível!

Em Munique, nos meses de inverno era literalmente acordar, pegar o metrô para o trabalho, trabalhar, voltar para casa, fazer janta e dormir. Conforme o tempo foi esquentando, passei a correr de manhã antes do trabalho e, muito devido a uns 20 dias que ficamos sem internet em casa, passei a sair muito com os colegas de apartamento após o trabalho. Foram alguns dos melhores meses da minha vida, com direito a muita cerveja da Baviera e pôr do sol após as 20:30. Nos finais de semana de calor íamos ao Englischer Garten tomar banho no Eisbach, rio cujas águas vem das geleiras e onde, em dois pontos específicos, pessoas surfam em ondas criadas artificialmente no fundo.

Como era o clima por lá?

O clima Alemão é bastante fresco quando comparado com o Brasil e mesmo com outros países europeus. No inverno a temperatura varia de 5 Celsius a -20 nos dias mais rigorosos. No rigor do inverno neva toda semana e pode ventar bastante. O verão, pelo menos no último, girava entre 15 e 30 graus Celsius. Tínhamos uma quantidade boa de dias de sol e as vezes chovia, fazendo com que a temperatura baixasse um pouco.

 Karaoke no Mauer park, Berlim

Quais os lugares que você mais gostava de frequentar?

Em Berlim eu gostava muito de visitar o Portão de Brandemburgo e o “Reichstag”, prédio do parlamento alemão, pois ambos me deixavam boquiaberto por suas arquiteturas e histórias. Também gostava de visitar o “East side gallery”, um trecho onde o muro foi mantido de pé e se tornou uma espécia de galeria de pinturas ao ar livre.

Em Munique gostava muito de visitar o “Englischer garten”, o maior parque urbano do mundo e situado na região central de Munique. A natureza e atividades ao ar livre de lá me ajudavam a relaxar nos finais de semana e mesmo em alguns dias após o trabalho. Recomendo muito também o bar “Patolli Kaffee Bar”, próximo à estação Sendlinger Tor e da praça Marienplatz. Lá experimentei alguns dos melhores drinks que já tomei em um ambiente super bacana. Falando de Munique no verão, não posso deixar de dizer qual era meu Biergarten favorito: Era o do “Viktualienmarkt”, bem próximo à Marienplatz. Nesse típico Biergarten, você pode levar sua própria comida e tomar a cerveja do dia em mesas compartilhadas, uma experiência maravilhosa.

 Viktualienmarkt, Munique

Quais os lugares que não estão nos roteiros turísticos típicos mas vale a pena conhecer?

Em Berlim eu diria a “Warschauer Strasse” à noite, pois lá pode-se sentir um pouco da “vibe” da noite berlinense.

Em Munique eu diria os arredores da cidade, como o lago “Königssee”, cuja natureza é incrivelmente preservada e bela. Recomendaria também os bairros Maxvorstadt e Schwabing, os quais tem muita vida universitária acontecendo e dão uma boa sensação do que é viver em Munique.

Qual o custo de vida da cidade?

Bem, ambas cidades atraem bastante gente, de forma a terem muita disputa por apartamentos e quartos. Acredito que em ambas é possível pagar entre EUR 400 e EUR 700 / mês por um quarto em apartamentos compartilhados em bons bairros. Em todo o restante, Berlim é uma cidade muito em conta, onde é possível se gastar EUR 3,50 em um prato de macarrão em certos restaurantes, por exemplo. Como vivi em uma moradia estudantil, gastava em torno de EUR 800,00/mês me dando alguns pequenos luxos e sem viajar muito.

Munique já é uma cidade mais cara, sendo que o preço médio de um prato de comida gira entre EUR 8,00 e 10,00. Pode-se viver com uma média de EUR 1.000,00/mês, eu diria, de forma a ter pequenos luxos.

O que é incrível na Alemanha são os baixíssimos preços dos supermercados. Uma vez ouvi de um professor que a Alemanha tem uma das menores relações preço de mercados/Salários do mundo e, de fato, pode-se fazer compras para uma semana inteira por EUR 15 a 20,00.

 Königsee, Bavária

O que você mais gostou de fazer durante sua estadia?

Em Berlim não pude aproveitar tanto, uma vez que peguei o inverno, mas acho que a vivência na universidade e os momentos com os amigos foram incríveis.

Em Munique pude pegar o verão e aproveitar mais. Acho que estar com amigos Alemães e de outras nacionalidades, dar boas risadas e poder andar por aí no meio da noite sem a menor preocupação foram pontos altos. Ainda no processo de sair do ninho familiar, ter de se virar em um país cuja língua não dominamos é algo bastante desafiador e principalmente engrandecedor.

O que não se pode deixar de trazer de lá?

Bom… Não sou muito ligado a souvenires, mas acho que não se pode deixar de trazer algumas das melhores cervejas alemãs. Especialmente as da Baviera (Augustiner Hell; Tegernsee Hell). Acho que do fundo do coração temos que tentar aprender e levar conosco um pouco da cultura alemã. Um país destruído e que se reergueu mais de uma vez, cujo povo é extremamente organizado, honesto e sincero (para o bem ou para o mal).

 Time de trabalho na Allianz, Munique

No geral, como foi sua experiência? O que você recomendaria e não recomendaria?

Bom, minha experiência foi incrível. A palavra é: Engrandecedora. Recomendo morar em Munique, comer em Berlim e festar em Hamburgo (Meu estilo é barzinho, não balada).

Alguma curiosidade que deseja compartilhar?

Os alemães têm fama de frios, mas eu diria que são, na verdade, mais racionais. Eles não te convidarão para jantar no primeiro mês, mas uma vez que te considerem um amigo, te ajudarão (e pedirão tua ajuda) para desmontar, carregar e montar todos os móveis em uma mudança de casa, por exemplo, ou mesmo te buscar em casa às 4:00 da manhã de segunda feira para dirigir 35 quilômetros até o aeroporto, como um amigo fez por mim.

Quer saber mais sobre as cidades? Confira alguns dos posts que temos aqui:

A noite alternativa de Berlim: onde ir?

 

Free Walking Tour de Munique

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