Nessa edição o Morando por aí é sobre o México! A Daniella Santos, administradora, passou 9 semanas fazendo trabalho voluntário pela AIESEC na Cidade do México. A Dani aproveitou na época as férias de verão da universidade e foi se aventurar na América do Norte, confere com a gente como foi essa experiência:

O que te levou a escolher a cidade/país?

Como escolhi viajar bem em cima da hora (queria viajar em janeiro e tomei a decisão em dezembro), fui obrigada a pensar nos países mais perto do Brasil, principalmente pelo preço da passagem. Sempre me interessei pela cultura do México e principalmente pela culinária, então comecei a pesquisar mais e decidi ir pra lá. Tinham programas voluntários que me interessavam na Cidade do México e em Puebla, um povoado menor de lá. Escolhi a Cidade do México pela quantidade de programações culturais que oferece – é a cidade com mais museus no mundo – e porque queria ter a experiência de me virar sozinha numa cidade grande.

 

Você fez o processo sozinha ou por intermédio de terceiros?

Eu já estava na plataforma da AIESEC há um tempinho, sempre ficava de olho nas vagas. Quando me apliquei pra uma, fiz a entrevista com o coordenador do programa da AIESEC México e depois de uma semana ele me avisou que eu tinha sido aceita. Ele me aceitou no sistema e aí a AIESEC de Floripa entrou em contato comigo, pra perguntar se eu ia mesmo, e pra dizer pra eu aceitar no sistema só se fosse certeza. A conversa de como seria o programa, o quê eu faria, onde moraria e todo o resto fui eu que tive com a AIESEC de lá por Whats app mesmo. Na AIESEC de Floripa precisei ir só para passar as informações, assinar o contrato e pagar o programa.

Qual foi a documentação necessária?

Para o programa, só precisei assinar o contrato com a AIESEC, aí eles providenciaram uma carta com a assinatura deles comprovando que eu ia fazer trabalho voluntário e o período. Foi o único documento que precisei apresentar na imigração, já que faz um tempo que brasileiros não precisam de visto pra ir pro México. 

Como escolheu onde morar?

Ganhei acomodação em uma casa de família pelo programa.

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Como foi chegar no lugar, qual foi sua primeira impressão? Te receberam bem?

Meu host e o coordenador do programa foram me receber no aeroporto bem cedo, foi bem legal da parte deles. Pegamos um UBER para eu ir pra casa, e a impressão foi que a cidade era enorme mesmo, bem diferente de Floripa. Quando cheguei em casa fui direto dormir porque tinha feito voo com escala, e a mãe do meu host me acordou me oferecendo mamão (com pimenta, claro) cortadinho na cama. A minha família era muito legal.

Como era sua rotina?

Eu trabalhava 3x por semana (terça, quarta e quinta), cada dia em uma escola diferente, mas todas no mesmo bairro. Como minha casa era perto de uma estação de metrô, eu andava uns 7 minutos até lá para pegar o primeiro metrô do dia (quando eu tinha muita preguiça ou estava atrasada eu pegava ônibus até a estação!).

Na terça e na quinta-feira eu tinha que estar pelas 11h na Escola, então era tranquilo, porque chegava na estação e estava “vazia” (os meus conceitos de cheio e vazio, longe e perto mudaram muito depois de morar lá..), eu pegava o metrô rapidinho e não demorava nem 30 minutos pra chegar na estação que eu tinha que parar.

Na quarta-feira eu tinha que estar às 8h30h, então era bem ruim! Tinha que acordar muito mais cedo, porque o metrô fica absurdamente cheio e até eu conseguir entrar numa cabine (mesmo as reservadas para mulheres e crianças) demorava cerca de uns 15 minutos. Como as pessoas literalmente se esmagam pra poder entrar, as portas demoravam muito para fechar a cada estação e eu demorava quase o dobro do tempo normal para chegar.

Eu e meus colegas aproveitávamos o restante do dia para ir a museus ou parques. No final do dia sempre íamos para Zócalo, o centro da cidade, beber cerveja – com limão e pimenta! – em algum bar. Voltava de metrô e quando chegava na estação perto da minha casa depois das 22h, pegava Uber ou Taxi pra ir pra casa ao invés de caminhar, pelo perigo mesmo. Nos dias livres (sexta à segunda) nós costumávamos viajar para outras cidades.

 Grupo de voluntários internacional

Como era o clima por lá?

Eu fiquei em janeiro e fevereiro, e nessa época o clima na Cidade do México é bem seco e a temperatura variava de 8 a 20 e poucos graus durante um dia. Ou seja, de manhã cedo e a noite era frio, mas a tarde era bem agradável. Eu normalmente andava de camiseta e moletom pra sair de casa, a tarde tirava e a noite colocava de novo. Não choveu um dia sequer. Claro que o país é grande e varia de clima, quando fomos pro Caribe, no litoral, fazia calor o dia inteiro.

Quais os lugares que você mais gostava de frequentar?

Como fiquei só dois meses e eu viajava todo final de semana, não tem muitos lugares específicos que eu costumava frequentar, porque eu tinha que aproveitar a semana para conhecer tudo na Cidade, que é enorme. Mas Zócalo, o centro, tem muita coisa legal. Sempre achávamos um bar diferente com alguma terraza pra beber cerveja e ver o movimento. Gostávamos de ir no Sears Café, que fica em frente ao palácio Bellas Artes, a vista é o máximo.

Coyocán também é um bairro muito legal, a praça de lá tá sempre cheia e com algum programa cultural. Costumávamos almoçar no mercado de Coyocán também, porque a comida era muito gostosa e barata. Ia muito no museu da tequila porque estudante paga meia entrada e no final você ganha degustação de mezcal (a bebida típica de lá) e de tequila, então era o jeito antes de algumas festas! O legal de lá é que sempre tem alguma coisa pra fazer, não importa em que região você esteja.

Quais os lugares que não estão nos roteiros turísticos típicos mas vale a pena conhecer?

As Grutas de Tolantongo, com certeza! Ficam a umas duas horas da Cidade do México. Além da gruta em si (uma caverna mesmo, com água morna!), tem tirolesa e um rio com a água mais azul que já vi na vida. Mas o melhor são as piscinas (de água morna também) com vista pra montanha. A natureza é maravilhosa e dá de relaxar muito.

Termas nas grutas de Tolantongo

Tirolesa nas grutas de Tolantongo

Qual o custo de vida da cidade?

É mais barato que por aqui. O ônibus custa de 4 a 6 pesos (pouco mais que um real) e o metrô 5 pesos. Dependendo de quantos metrôs eu pegava, gastava pouco mais de 5 reais por dia em transporte. A alimentação depende bastante de cada pessoa! Eu comia em muita Taqueria, que são restaurantes de tacos que ficam na rua e são bem baratos.

Um taco de pastor (de carne de porco, o mais comum lá) era em média 10 pesos, e em média as pessoas comiam uns 4 ou 5. Os de outras carnes eram o dobro do preço. Também tem os restaurantes de “comida corrida”, onde vem uma sopa, uma salada, o prato principal, bebida e sobremesa. Eu não era muito fã, mas sempre acabava comendo com o pessoal, porque saía cerca de 60 pesos pra um almoço completo! Quando íamos em restaurantes bons a conta saía quase uns 200 pesos.

O que você mais gostou de fazer durante sua estadia?

Comer!!!!!!! Os mexicanos não entendiam como todos os estrangeiros queriam comer tacos todo dia, mas acho que eles não fazem ideia do quanto é bom porque estão muito acostumados. Eu comia demais.

Mas a melhor parte da viagem foi a semana que passei no Caribe, porque quase todos os amigos foram e tivemos “férias de verdade”. A praia (que eu estava morrendo de saudade), o clima, a animação, as festas, é tudo muito legal por lá!

 Praia em Cancun

O que não se pode deixar de trazer de lá?

Um sombrero!!! (Que você não vai usar nunca mais… mas é muito legal) Mezcal e tequila, também.

No geral, como foi sua experiência? O que você recomendaria e não recomendaria?

Foi muito, muito, muito legal. É o máximo como as ruas são super coloridas e estão sempre cheias. O que eu mais curti foi o Castelo de Chapultapec, que é o único castelo da América Latina que foi usado como castelo de verdade e o museu de Antropologia. O museu do Stalin e da Frida Kahlo também são muito legais, principalmente se você fizer a visita guiada. O que eu recomendo mesmo é em relação à alimentação: tem que perder o nojinho e experimentar de tudo, porque a culinária deles é muito rica e diferente.

Castelo de Chapultapec

Alguma curiosidade que deseja compartilhar?

Eu achava que era exagero, mas não é: mexicanos colocam pimenta em TUDO mesmo! Frutas, cerveja, pipoca, batata chips, milho no palito e até em uns grilos que eles comem por lá. E mesmo se te disserem que “no pica”, vai arder, MUITO. Eles também tomam tequila com refri, como a gente faz com vodka por aqui e acham um absurdo que aqui a gente come abacate com açúcar.

Gostou da experiência da Dani? Também foi morar por aí e tem muita história pra contar? Escreve pra gente usando a aba de contatos no blog ou diretamente para nosso e-mail: colecionandocarimbos@gmail.com