Hoje quem vem para compartilhar sua história de intercâmbio com a gente é a Emilly Laíse, que foi fazer um curso de espanhol na nossa querida Barcelona durante quatro meses, de janeiro à maio de 2015. Curioso para saber como foi essa aventura? Olha o que ela contou pra gente:

O que te levou a escolher a cidade/país?

Já possuía planos de realizar um intercâmbio há muito tempo, porém, por não dominar a língua inglesa acabei desistindo em virtude do receio de sofrer com a barreira linguística (sempre imaginava como seria pedir uma informação ou ter que comprar um remédio na farmácia em inglês e não conseguir). Meu bisavô era da cidade de Pontevedra (Galícia), e como eu já falava um bom espanhol, analisei essas questões e decidi que Espanha era o destino. Tive dúvida entre Madrid ou Barcelona mas, através de pesquisas e falando com alguns amigos, entendi que a cidade de Barcelona condizia mais com o meu perfil.

Você fez o processo sozinha ou por intermédio de terceiros?

Fiz o procedimento através da IE Intercâmbio. Eles me ofereceram as melhores escolas, formas de hospedagem, realizaram uma reunião pré-embarque, concederam um Visa Travel Money do Banco Rendimento, ofereceram diversas informações pré e pós embarque e continuaram dando suporte ainda durante o período que eu estava em Barcelona.

Qual foi a documentação necessária?

Para até 3 meses de estadia na Espanha, não é necessário visto, brasileiros tem direito de permanecer no país por 90 dias. Como acabei tirando férias no meio do intercâmbio, recebi uma carta convite da escola para permanecer mais alguns dias pra poder receber meu certificado. Acabei precisando de uma prórroga de estancia (feito presencialmente em Barcelona) na qual você envia um e-mail para a comissária e eles marcam uma data e hora elencando todos os documentos necessários para apresentação. Após aprovação você pagará uma taxa no banco e seu passaporte ficará retido até a assinatura da prorroga de estancia. Nesse período que o passaporte estiver retido, te dão um documento que poderá ser apresentado em substituição ao passaporte (válido até o dia que você deverá retirar o passaporte).

Como escolheu onde morar?

Escolhi viver em casa de família em razão dos custos e benefícios. Tinha direito a café da manhã por conta da dona da casa e as demais refeições eram por minha conta. Eu morei no bairro de Sarrià Sant Gervasi, que acabei descobrindo ser um excelente bairro para se viver. O apartamento ficava ao lado da estação de metro El Putxet e passavam inúmeras linhas de ônibus, tanto as linhas convencionas quanto os bus noturnos. Eu levava uma média de 20 min todos os dias até a escola que ficava localizada no centro da cidade. Embora fosse casa de família, muitos estudantes viviam lá nos outros cômodos. No período que estive morando nesse lugar, pude compartilhar o apartamento com uma estudante japonesa, uma alemã e uma peruana.

Como foi chegar no lugar, qual foi sua primeira impressão? Te receberam bem?

Sempre achei coisa de filme aquelas plaquinhas com o nome das pessoas no aeroporto, sabe? E não é que tinha uma pra mim?! Antes de embarcar, contratei um transfer pra me receber na cidade – que foi muito importante por eu não conhecer absolutamente nada da cidade e estar com uma mala pesada. A dona da casa me recebeu muito bem, explicando todos os procedimentos, fez um mapa me indicando como chegar até a escola no dia seguinte, tendo me levado até a estação de metro pra me ensinar como comprar o bilhete do transporte.

Parque Guell, Barcelona

Como era sua rotina?

Acordar, ir para escola, a aula começava 9:30 e terminava 12:15 de segunda a sexta-feira, a tarde eu passeava e dormia (aproveitava a siesta das 14h as 17h) e durante a noite -todas as noites- eu ia pra festas e eventos gratuitos até porque Barcelona tem Nit Bus que são ônibus que rodam a noite inteira. Nos fins de semana, na sexta-feira o metro funciona até 2h da manhã e de sábado para domingo é 24h. Gostava de viajar, conhecer as lojinhas de roupas que não existem no Brasil, ler alguns livros, ver alguns filmes (o cinema é caro), caminhava, fazia algumas trilhas, frequentava um centro espirita (embora seja espiritualista), fazia aula de ballet clássico e tentava aprender a andar de skate.

Como era o clima por lá?

Europa costuma ter estações do ano bem definidas. Cheguei no meio do inverno, e pude pegar temperaturas a 0º graus, 1º grau, acabei tendo que comprar casacos mais resistentes porque os meus não suportaram. É um frio bom, o que incomoda é quando venta. Barcelona tem praia, mar, isso deixa o local com maior umidade. Tive também a oportunidade de conhecer a primavera com todas as suas cores e flores e energia contagiante, que lugar incrível! Já utilizando roupas sem manga, saias, etc, pois as temperaturas mínimas iam a 19º, 20ºgraus.

Quais os lugares que você mais gostava de frequentar?

Frequentava o La Rumbeta para matar a saudade de forró (dançava muito!). Ia também ao bar Rosa Negra, que é um bar mexicano na Via Laietana, tinha o Can Paixano (La Xampanyeria) que era um queridinho! 100montaditos é cheio de dias promocionais para comer os famosos bocadillos. Ia muito com os amigos da escola ao L’Ovella Negra. Das boates fui em quase todas (e olha que Barcelona tem uma infinidade delas!) e não tem como não gostar muito do Clube Opium ou da Pacha (típicas). Eu gostava muito de caminhar pelo Portal del Ángel e visitar o Parc de la ciutadella. Sobre compras, são locais mais distantes, porém com variedades, eu frequentava o Centro comercial L’illa Diagonal, o La Maquinista, o Mercado de Encants (quase tudo de graça), Ale-Hop e muito raramente o El Corte Inglés.

Parc de la Ciutadella

 Calçotada

Quais os lugares que não estão nos roteiros turísticos típicos, mas vale a pena conhecer?

Fazer a trilha até o Mont Serrat, que é imperdível (também é possível chegar de teleférico e de cremalheira). Visitar os Bunker del Carmel, recomendo demais! O BLVD – Boulevard Culture Club é uma boate com sons de Hip Hop que fica na Rambla e particularmente adorei a energia do local, muito embora não seja tão divulgado ou turístico. Ir até o 26º andar do Hotel W (Vela) onde fica a boate Eclipse e ter uma vista fascinante durante o dia e durante a noite da cidade. Café Bosc de Les Fades. E o Parque de Diversões Tibidabo.

Trilha para o Monastério de Montserrat

Qual o custo de vida da cidade?

Eu realizava compras no Mercadona e gastava uma média de 15 a 17€ por semana. O aluguel foi um pouco caro porque já paguei todo o período desde a saída do Brasil, mas é possível encontrar de todos os valores e gostos. Gastava com bilhete de transporte uma media de 42,5€ para 50 passagens em um período de 30 dias. Até que acabei preferindo comprar o bilhete de passagens ilimitadas no mês, pois utilizava o transporte demais e me custava 52,75€! Dica que só descobri na semana que estava voltando para casa, há uma bilhete para menores de 25 anos no valor de 105€ que vale por 90 dias com viagens ilimitadas. É o chamado T- Joven. Vale ressaltar que o transporte é integrado com ônibus, metrô, ferrocarril e tram.

O que você mais gostou de fazer durante sua estadia?

Viajar! Gente, com o advento de Ryanair, Blablacar, Couchsurfing, Eurolines e tantas outras empresas e grupos colaborativos e acessíveis eu tive a oportunidade de conhecer a Itália (Bolsena, Orviedo, Roma, Florença, Pisa, Veneza), Portugal (Porto, Coimbra, Lisboa), Grécia (Atenas e Santorini), Bélgica (Bruxelas), Holanda (Amsterdã), Alemanha (Berlim e Dresden), França (Paris), Espanha (Barcelona, Madri, Girona, Figueres, Tarragona, Sitges, Tossa del Mar, Castelldefels, Lloret de mar), sim tudo isso em 04 meses e ainda estudando. Com planejamento e coragem se tornou extremamente possível e viável. Vale também comentar minha participação em uma Calçotada em Barcelona, evento típico da gastronomia catalã. Além do Holi Festival que é o festival das cores. Caminhar por todas as praias e descobri que no meio do caminho tem uma praia nudista, também foi um experiência sem igual.

O que não se pode deixar de trazer de lá?

Boas histórias, uma camisa do Barça e um caganer (é uma figura de uma pessoa a defecar que se pode encontrar nos presépios, como tradição na Catalunha).

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No geral, como foi sua experiência? O que você recomendaria e não recomendaria?

Eu diria que não tem dinheiro no mundo que pague a minha experiência, mas tem. Aprendi o que significa liberdade, pois possuía um conceito equivocado sobre a mesma. Liberdade não é não precisar apenas informar as pessoas aonde você vai, com quem vai, etc, liberdade é também poder ir para onde você quiser a qualquer hora e sem medo. Viajar sozinha por vários países sem medo. Isso é liberdade. Exauri as possibilidades. Como possuía poder de compra, aprendi a ter um consumo consciente, a ser mais desapegada, utilizar e carregar o necessário. Foi um momento indescritível na minha vida. Passei a ser mais madura e ter uma visão prática das coisas. Não havia com quem compartilhar os perrengues do caminho e precisei aprender a pensar rápido, resolver as coisas de forma ágil e sozinha. Se eu tivesse um conselho para dar a humanidade não seria “usem filtro solar”, mas sim façam terapia e um intercâmbio!

Alguma curiosidade que deseja compartilhar?

Em Barcelona é possível encontrar atividades/eventos para todos os tipos de pessoa. É um destino para morar, passar férias, lua de mel, despedida de solteira, ir com a família, com os filhos, com os amigos. Barcelona inspira. (São muitas informações e podem contar comigo para auxiliar em qualquer dúvida)

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