A Bruna tem 22 anos e é estudante de Arquitetura e Urbanismo da UNISUL, em Floripa. Nesse post, ela conta como está sendo a experiência de morar por um ano na cidade de Birmingham, na Inglaterra. Lá, a Bruna estuda Architectural Technology na Birmingham City University e faz estágio na empresa Konstrukshon Ltd.

Campus da Birmingham City University

O que te levou a escolher a cidade/país?

Na verdade eu acabei escolhendo conforme pesquisava pelos cursos/universidades/cidades que o programa Ciência sem Fronteiras disponibilizou no meu edital. Queria um país na Europa pela facilidade de viajar e gostaria que o idioma fosse inglês. Procurei as opções que tinham e acabei me identificando com as universidades britânicas.

Uma das principais praças da cidade de Birmingham na Park St.

Você fez o processo sozinha ou por intermédio de terceiros?  

Comecei a buscar as informações sobre o programa Ciência sem Fronteiras por conta própria e aos poucos fui procurando grupos no Facebook com pessoas na mesma situação, ou que já tivessem passado pelo mesmo processo.  Isso ajuda bastante com dúvidas de documentação, visto, portfólio, etc.

Qual foi a documentação necessária?

No processo do Ciência sem fronteiras existem varias etapas de aprovação (levou cerca de um ano até estar tudo certo), sendo que na primeira o candidato tem que ser aprovado pelo programa. Precisa-se de histórico escolar da universidade brasileira que se está cursando, um documento da universidade relativo à ciência e aceitação da sua participação no programa, resultado do ENEM, resultado do teste de proficiência na língua inglesa (na Inglaterra o teste exigido é o IELTS, mas isso varia conforme país e língua natal) e documentos pessoais (certidão de nascimento, CPF, passaporte, outros).

A documentação adicional exigida na próxima etapa é uma carta de motivação ‘’personal statement’’, onde o aluno escreve o porquê de ter escolhido a universidade e quais as suas motivações. Dependendo da universidade, podem ser pedidas mais coisas, por exemplo, duas das minhas opções pediram que eu montasse um Portfólio de trabalhos meus na arquitetura para avaliarem meu nível de conhecimento – já a terceira não pediu nada além dos documentos que já haviam sido entregues (histórico escolar, IELTS).

Ainda tive que mandar documentos pessoais pra universidade, preencher formulários deles com contatos dos meus pais, mandar comprovante de seguro de saúde, comprovante de pagamento do sistema de saúde deles (NHS) e a Carta de Benefícios que é um documento que comprova que o governo brasileiro irá arcar com as despesas do bolsista. Toda essa documentação foi encaminhada para a universidade, que forneceu documentos necessários para o pedido do visto. Depois de conseguir o visto é só embarcar mesmo hahaha demora, mas dá tudo certo! Vai com fé!

Como escolheu onde morar?

Moro em uma moradia estudantil, que foi escolha do escritório internacional da minha faculdade. Não tive opção de local e de colegas de apartamento, mas estou bem satisfeita com a experiência. Moro do lado da faculdade e divido apartamento com mais

4 meninos (dois chineses, um turco e um brasileiro). Cada um tem seu quarto e banheiro e compartilhamos a cozinha (foto ao lado).​

Independentemente do tipo de moradia, recomendo procurar a opção mais próxima do seu campus/trabalho, já que sempre que preciso dou um pulinho na faculdade e resolvo os problemas sem depender de transporte público ou qualquer outro meio. É válido principalmente pro período de inverno (que, acredite, você não vai ter vontade de largar sua calefação por nada no mundo), então vale a pena deixar a ‘’jornada’’ até a faculdade mais curta.

 

 Mural do quarto na moradia estudantil

 

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Como foi chegar no lugar, qual foi sua primeira impressão? Te receberam bem?

A minha universidade é ótima em relação à recepção e apoio ao estudante internacional. Eles colocaram uma equipe no aeroporto esperando os alunos estrangeiros, me receberam e me encaminharam pra casa quando cheguei (super perdida, obviamente, então foi ótimo).​

Eventos da semana de recepção dos calouros na Birmingham City​ University​​

Durante a primeira semana, fizeram atividades de integração para os estudantes internacionais, aonde introduziram um pouco da cultura, gastronomia, como funciona o sistema educacional, horários, como pegar ônibus, a quem recorrer em caso de emergência… Então quanto à recepção foi bem tranquilo.

Festa com o prefeito da cidade na semana de recepção dos estudantes internacionais

​Durante o ano letivo, tive acompanhamento de psicólogo da própria universidade para saber como eu estava me adaptando e checar meu desempenho. Eles ofereceram também consultas médicas no próprio campus, tutores de inglês, vários grupos de apoio e atividades extras.

No geral, as universidades no Reino Unido são bem preparadas e acostumadas a receber estudantes internacionais, super tranquilo! Agora, a minha adaptação no geral foi difícil no começo, o pessoal aqui é bem mais fechado do que estamos acostumados, e como só tem mais dois brasileiros aqui comigo no começo dava uma sensação de vazio inexplicável!!! Rolou chororó e vontade de voltar nas primeiras semanas, mas depois acostuma.

Estrutura da universidade

Como é sua rotina?

No começo estranhei a rotina aqui, porque só tenho dois dias de aulas semanais. Parecia muito pouco, mas conforme as entregas foram chegando faltou tempo! O sistema de educação aqui é mais no estilo ‘’o aluno que corra atrás’’, então realmente tem que fazer bastante pesquisa e estudar por conta.

Virei milhões de noites na biblioteca fazendo trabalho, fiz errado várias vezes, mas no final das contas vai acostumando. Passei 9 meses só estudando (fora academia, fazer compras, cuidar das coisas em casa), e agora estou estudando e estagiando em um escritório de um dos meus professores daqui.

Fora o dia-a-dia, é muito prático e barato viajar pela Europa estando aqui, então sempre que dá vou visitar lugares novos.

                                                                                                                                              Foto: Estrutura da universidade 

Como é o clima por lá? 

Frio. Nuvem. Vento. Cheguei em Setembro de 2015 e na primeira semana já estava usando o casaco mais pesado que tinha na mala. Além do frio, e especialmente no inverno, chove praticamente todo dia, então vale a pena investir num casaco quente e impermeável. Comprei um relativamente barato e muito bom na Zara.

No mais usava roupas escuras e básicas, era frio demais pra ficar de ‘’fru-frus’’. Até pra sair pra barzinho/balada, normalmente era calça preta e uma jaquetona por cima (pagava pra deixar na chapelaria, mas sem condições de fazer a britânica e encarar o frio de shortinho).

Durante o inverno foram poucas as vezes que nevaram e que a temperatura chegou a ficar abaixo de zero, mas mesmo assim venta muito, então a sensação é sempre menor. Fora o frio, as horas de sol eram mínimas! Amanhecia por volta das 9 da manhã e escurecia 15h30, tem que tomar cuidado pra não dormir o dia inteiro (dá vontade).

Em abril começou a esquentar um pouco, mas ainda assim é fresquinho quando amanhece/escurece. A melhor parte de quando passa o inverno é que os dias são gigantessss! Amanhece 5h e pouco e só escurece lá pelas 21h, maravilhoso.

No geral não gostei do clima daqui. Poucos dias de sol, muita chuva e frio! Mas nas épocas quentes é muito legal ver como os britânicos aproveitam o sol nos parques/jardins… Qualquer graminha tá valendo pra passar a tarde e pegar um solzinho em boa companhia!

Quais os lugares que você mais gostava de frequentar?

Um pouco de tudo na verdade. Sempre que dá eu saio pela cidade meio sem destino pra ir descobrindo lugares legais… Amo passar o tempo em parques e é muito comum ver o pessoal sentado na grama/chão/qualquer lugar pegando sol, comendo, conversando.

Cafés também são uma boa opção! Tem literalmente um a cada esquina e normalmente tem um espaço legal pra passar um tempo.

Um café que gosto muito, que também funciona como restaurante e mercado vegano, é o The Warehouse Cafe, o lugar é um amor!

A noite em Birmingham tem bastante opções de baladas mas o esquema é um pouco diferente do Brasil porque começa mais cedo e termina beeem mais cedo, mas no geral as festas são legais. Pra mim, as melhores baladas são Snobs e Players.

Os pubs são muito bons aqui, normalmente quando saio a noite prefiro esse tipo de programa e o que mais frequento se chama Pitcher & Piano. Outro lugar legal é o The Jam House, um restaurante mais chique que também funciona como pub com música ao vivo.

Pub The Woodman ao lado da universidade

Quais os lugares que não estão nos roteiros turísticos típicos, mas vale a pena conhecer?

Pra quem vier visitar Birmingham, vale a pena pegar um trem e ir pra Stratford-upon-Avon. Fica a uns 40 minutos de trem e é uma cidadezinha muito fofa de conhecer! As atrações principais giram em torno da história de Shakespeare, pois foi onde ele nasceu, mas a cidade é um amor no geral.

Não só aqui, mas em vários lugares da Europa eles fazem um mercado de Natal nas principais ruas das cidades de Novembro a Janeiro. É muito legal!!! Tem shows, barraquinhas de comida e lembrancinhas e bebidas quentinhas maravilhosas. Vale a pena visitar se estiver por aqui nessa época e comprar alguma lembrancinha do lugar.​​

German Market – mercado de Natal

​Quanto você costumava gastar por mês?

No meu caso, o governo paga minha acomodação e mensalidade da faculdade diretamente pro escritório internacional daqui. Sei que o aluguel gira em torno de £125 por semana e a despesa com a universidade £7000 por ano, mas não sei os valores exatos.

Quanto às outras despesas, acho que todo mundo já ouviu dizer que a Inglaterra é um país com custos mais altos, e realmente é. Alimentação, transporte, shows, cinema, mensalidade de academia, lojas em geral, TUDO é mais caro se comparado com o resto da Europa (pelo menos os lugares que conheci).

No total, recebemos £420 para alimentação mensal e cobre os gastos com tranquilidade. Claro que não da pra sair pra comer fora todo dia, mas da sim pra sair e gastar um pouco a mais de vez em quando.

Em média, gasto 50 pounds por semana com supermercado e feira. Sempre que dá prefiro cozinhar em casa porque, além de ser mais barato e mais saudável, a comida britânica não é das mais fitness. Mas no dia-a-dia também tem várias opções de lanches e saladas pra comprar nos mercadinhos locais ou na faculdade mesmo.

No meu campus não tem restaurante universitário (sei que algumas universidades tem), mas tem várias lanchonetes com diferentes opções. Uma refeição na universidade gira em torno de 5 pounds com bebida, e num restaurante sai de 15 a 20 dependendo do cardápio.

No geral, a gastronomia não é um ponto forte por aqui. Os pratos mais típicos são fish and chips (que é um prato de peixe frito/empanado com batata-frita e purê de ervilha – na foto ao lado), english breakfast (um prato com torrada, ovo frito, bacon, linguiça, tomate, feijão, etc, etc, etc), torta de carne, salsichas, purê de batatas… Como tem bastante imigrantes árabes e muçulmanos, é comum encontrar esse tipo de culinária por aqui também.​                                                                                                                                                                                                                                                   

O que você mais gostou de fazer durante sua estadia?

Vim bem focada no curso de arquitetura, quis fazer da minha experiência a mais produtiva possível em relação aos meus estudos e gostei bastante do resultado. Achei o sistema daqui puxado comparado ao que eu estava acostumada no Brasil, mas fiquei feliz com o reconhecimento que recebi dos professores.

Eles realmente valorizam trabalhos bem feitos e dão muita oportunidade pra aluno que está afim de aprender. A universidade fez semanas acadêmicas com frequência, proporcionou viagens de estudo (pra Londres e Lisboa), visitas a obras e exposições, estágios e enfim, basta estar focado nos estudos que as oportunidades aparecem por aqui!

Fora os estudos, acho que o que eu mais gostei foi a independência. Foi a primeira vez que eu morei fora de casa e, apesar de sentir muita falta da minha família, foi maravilhoso poder ter liberdade de decidir e ter que lidar com todas as minhas decisões aqui.

O que não se pode deixar de fazer por lá?

Birmingham não é muito forte no quesito turismo, então não recomendaria como uma cidade ‘’imperdível’’ na lista de cidades pra visitar no mundo. Como é uma cidade grande (segunda maior do Reino Unido), muitos dos shows grandes que tem em Londres acabam vindo pra cá também (as vezes mais baratos), então recomendaria atrações e eventos nesse sentido.​

                                                       Foto: Biblioteca de Birmingham                         

No geral, como foi sua experiência? O que você recomendaria e não recomendaria?

Foi maravilhoso. Independentemente de lugar e período de estadia, o intercâmbio vai ser sempre uma experiência incrível! Valeu cada segundo de auto-descobrimento, perrengues em uma língua e cultura completamente diferente, frio insuportável no inverno. Tudo isso acabou acrescentando de alguma maneira e me fez crescer muito! Inclusive foi importante pra eu começar a valorizar mais as coisas que tenho no Brasil, como a família, faculdade, amigos, CLIMA… Apesar de as diferenças de estrutura serem gritantes quando a gente compara os dois países, temos que valorizar o que temos de bom no nosso país também!

E, por último, apesar de ser mais fácil no período de adaptação, não recomendo ir fazer intercâmbio com muitos brasileiros já que sempre acaba nas panelinhas e as vezes isso impede a pessoa de ‘’se entregar’’ por inteiro pra experiência.

Quer falar com a Bruna e saber mais sobre essa viagem incrível? 

E-mail: brunawolfklein@gmail.com

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Instagram: @brunawolfklein